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Alcis Ronconi

ESTADO
02/05/2018 às 10h11
Parceria entre SSP e empresas busca garantir acesso a 8 mil câmeras de vigilância em SC
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Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

Sabe a sensação de estar sendo observado? Se depender dos planos da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado, isso deverá ser uma realidade praticada em escala crescente por meio das centrais de videomonitoramento em locais considerados estratégicos e de grande circulação. Hoje, Santa Catarina tem aproximadamente 2,5 mil câmeras monitoradas em tempo real. Os equipamentos fazem parte do programa Bem-Te-Vi e estão distribuídos em 116 municípios. Como os custos para manter e ampliar a rede são altos, o Estado busca parcerias no setor privado e pretende conseguir acesso às imagens de até 8 mil câmeras particulares.

Um edital de chamamento público já foi lançado e receberá propostas de empresas interessadas até o final do ano. A intenção é que instituições privadas forneçam o gerenciamento de imagens em seus domínios sem acarretar custos ao governo. O arquivo das câmeras deverá ficar armazenado em nuvem na internet e o acesso ao conteúdo gravado será online.

Na prática, a incorporação das câmeras das empresas não significa que haverá policiais observando as imagens a todo momento. Mas a possibilidade de acesso imediato ao conteúdo das câmeras pode tornar mais rápida a investigação de criminosos e veículos envolvidos em ocorrências, além de permitir que a polícia se antecipe quando houver situações suspeitas. Por enquanto, a SSP estuda a adesão de um grupo de empresas interessadas em compartilhar imagens.

Há critérios técnicos que precisam ser considerados, como a localização e a qualidade do equipamento.

— Acredito que no final de maio já vamos poder utilizar as imagens de pelo menos uma parte dessas empresas. Até lá, estaremos com as habilitações e análises técnicas prontas – diz o secretário Alceu de Oliveira Pinto Junior.

Além de ampliar a rede de imagens, o Estado avalia o uso de softwares para identificar placas de veículos, rostos e até vozes.

Programas também são testados para gerar alertas quando houver comportamentos fora do padrão nas imagens observadas. Seria considerado anormal, por exemplo, um motociclista de capacete circulando em uma área fechada ou um veículo passando repetidas vezes pelo mesmo trecho.

A secretaria ainda verifica o nível de confiabilidade dos softwares à disposição. Conforme o secretário, experimentos de reconhecimento de placas automotivas já indicaram mais de 70% de confiabilidade nos testes. A SSP planeja contar com essa tecnologia usando programas de acesso gratuito.

— A ideia é fazer com desenvolvimento interno ou software livre. Se no futuro a gente ver uma boa integração, aí é bem provável que se faça uma licitação para um software de análise, que é mais interessante – diz o secretário.

Hoje o Estado tem 2,5 mil câmeras ativas no Programa Bem-Te-Vi. Os equipamentos estão distribuídos em 116 cidades. Com o apoio da iniciativa privada, o Estado pretende ter acesso a outras 8 mil câmeras.

COMO EMPRESAS PODEM COMPARTILHAR CÂMERAS

- O edital está disponível em
http://www.portaldecompras.sc.gov.br

- A empresa deverá disponibilizar interface de gerenciamento na web com localização georreferenciada das câmeras em mapa

- Também deverá disponibilizar o cadastramento para acesso de 600 usuários da SSP

- Deverá ainda liberar interface para a comunicação entre a plataforma da SSP e as câmeras da empresa via nuvem

- Os aparelhos deverão ter capacidade de gravação mínima de três dias de imagens, com possibilidade irrestrita de download dos registros

- As imagens deverão conter data e hora da gravação

Entidades reconhecem resultados e apoiam rede compartilhada
Homicídios, furtos, roubos e outros crimes estão menos frequentes nos últimos quatro meses em Santa Catarina. Dados da Secretaria do Estado da Segurança Pública também mostram que, após estabelecerem recordes negativos de assassinatos em anos anteriores, cidades como Florianópolis e Joinville conseguiram desacelerar as estatísticas de mortes nos quatro primeiros meses de 2018.

Na Capital, a queda de assassinatos já chega a 38%, se comparada com o mesmo período do ano passado, enquanto em Joinville a redução é de 37%. Já Blumenau manteve a mesma taxa.

As entidades empresariais, que formalizaram cobranças por maior aparato para a atuação das polícias Civil e Militar, reconhecem os últimos resultados alcançados em Santa Catarina. Mas há cautela. Em Joinville, a preocupação é que a presença policial percebida em maior número nos últimos meses seja reduzida com a estabilização dos crimes.

— Tomara que o governo do Estado consiga criar condições para manter isso por um tempo maior. O ideal é que mantivesse esse número de policiais permanentemente aqui, já que a prática mostrou que essa ação se revelou eficiente na redução dos crimes — observa o presidente da Associação Empresarial de Joinville (Acij), Moacir Thomazi.

Na Capital, a avaliação da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif) também é positiva em relação às estatísticas, embora o presidente da entidade, Luciano Pinheiro, defenda que ainda é preciso avançar no combate à criminalidade. As entidades manifestam entusiasmo com a possibilidade de ampliar a rede de câmeras com o apoio da iniciativa privada.

— Existem câmeras instaladas em quase todos os lugares. Condomínios, lojas, fachadas. Se esta informação puder ser compartilhada, ela gera uma condição de imagem fantástica para o monitoramento da cidade — destaca Pinheiro.

Mobilização dinâmica de efetivo policial

Sobre o deslocamento de contingente policial, o comandante-geral da PM de Santa Catarina, coronel Araújo Gomes, confirma que nos últimos meses foi dada prioridade para regiões com maiores índices de violência, a exemplo de Joinville.

O olhar da gestão, diz o comandante, passou a considerar a população de forma estadualizada, sem restringir a atuação do efetivo a limites municipais. Recursos extras garantiram maior mobilização das tropas, conforme Gomes:

— Nossa capacidade de mobilização subiu assustadoramente.

Por outro lado, o comandante-geral indica que a tendência é de haver remanejamento de policiais militares para outras áreas do Estado na medida em que os crimes são estabilizados.

Imagens ajudam as polícias a desvendar crimes no Estado
DIOGO VARGAS

As imagens captaram o momento em que o corpo da professora Salete Ribeiro Martins, 65 anos, era levado por dois homens em um armário para a Avenida Presidente Kennedy, no bairro Campinas, em São José. As placas do carro usado também foram filmadas. Em Penha, a câmera registrou o momento em que um homem espancou a pauladas e matou barbaramente o indígena Marcondes Nambla, 36, no bairro Armação.

Não há o que questionar: as imagens falam, revelam, comprovam e incriminam. Tem sido assim em boa parte das investigações policiais. Antes mesmo de colher depoimentos, a polícia logo pergunta ou vai atrás de filmagens no ambiente do crime.

A partir do recebimento das imagens gravadas em câmeras privadas, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) espera ganhar em alcance, agilidade e ter amplitude nas apurações. A SSP garante que não fará o monitoramento das câmeras privadas, apenas usará as imagens gravadas em casos necessários.

Poderão ser captadas e armazenadas, por exemplo, filmagens de câmeras de associações de bairros, estabelecimentos comerciais e empresas de segurança. Com os softwares e o sistema em operação, o pensamento do secretário da SSP, Alceu de Oliveira Pinto Junior, é Santa Catarina passar a ser referência em monitoramento eletrônico.

Nos últimos anos, SC adotou o sistema Bem-Te-Vi, com parcerias entre Estado e prefeituras para a instalação de milhares de câmeras. Houve avanço, mas também críticas de que faltavam policiais militares para acompanhar 24 horas a movimentação registrada pelos equipamentos. No começo do ano, argumentando dificuldades financeiras, a SSP passou a recusar a ampliação do sistema em cidades ainda não contempladas, como Bom Retiro e Araranguá.

Em Florianópolis, a queixa por longos meses de 2017 foi a demora para a manutenção dos equipamentos. Em alguns casos, a polícia não conseguiu contar com o monitoramento das ruas porque as câmeras estavam inoperantes.

Fonte: DC
 
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